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Vendi a moto para ir a Nova York
CONSYLION INSIGHTS · A CARTA DAS 7H10
Por volta de 2012, eu quis ir a Nova York para um evento do Tony Robbins. Estava começando a empreender, tinha saído de um emprego com salário bem restrito, e a lista do que faltava era longa: eu não tinha dinheiro, não falava inglês, não tinha passaporte nem visto.
Se eu tivesse parado na lista, a resposta estava dada. Fui atrás de cada item. Tirei o passaporte, montei uma pasta cheia de documentos para provar que eu voltaria e fiz a entrevista do visto, que foi muito mais rápida do que eu imaginava. Vendi a minha moto para pagar os custos da viagem, e meu pai contribuiu com uma parte da passagem. Lá, o dinheiro da comida era contado, e eu comi fast food todos os dias. Mas participei do evento e voltei com a cabeça aberta para outras formas de construir negócio e aumentar a renda.
O que eu trouxe daquela viagem foi um hábito bem concreto: aprendi a não decidir que algo é impossível antes de investigar como torná-lo possível. Muita coisa que a gente chama de impossível, como eu disse quando contei essa história, "às vezes é apenas uma limitação imposta mesmo".
Conto isso porque, para quem já construiu alguma coisa, o impossível muda de cara. Ele deixa de ser falta de dinheiro e vira uma frase de quem conhece bem o próprio negócio: não tenho como sair da operação, não dá para ficar um mês fora, a esta altura, mudar o modelo não tem volta. Soa como experiência. Muitas vezes é só uma estimativa que ninguém foi conferir.
Parker, Bindl e Strauss, num artigo de 2010 chamado Making things happen, descrevem um dos estados que movem a ação proativa como o can do, o "consigo fazer". Segundo eles, ele nasce da percepção de autoeficácia, de controle e de custo. A palavra que me interessa ali é percepção. Na minha leitura, quem já tem muito a proteger tende a enxergar o custo de tentar maior do que ele é, e o custo de esperar menor do que ele é. Aí a pessoa espera ter certeza para agir, e parte da clareza só aparece quando a gente começa a testar.
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O Manual de Resolução de Problemas ajuda a investigar o problema recorrente e acompanhar a ação para evitar sua volta, com folha A3, plano de contenção, resposta ao cliente e doze modelos.
Eu também paguei por esperar. Numa conversa recente, falei que nos últimos quinze anos "perdi muito tempo em algumas oportunidades por esperar aquilo estar perfeito". No fim de outubro, quando começamos a levar os materiais da Consylion para o inglês e o espanhol, fiz diferente. Separei o que estava no meu controle, as traduções, a análise e as adequações de língua, do que não estava, a aprovação da empresa por um intermediário de pagamento lá fora. Comecei pelo primeiro, sem esperar o segundo. Anos depois de ir a Nova York sem falar inglês, foi a mesma decisão, com outro tamanho.
Dá para aplicar isso hoje, numa folha. Escolha uma coisa que você já chamou de impossível no negócio ou na vida, de preferência aquela que você repete há anos. Escreva o que precisaria ser verdade para ela acontecer, item por item, como era a minha lista de passaporte, visto e dinheiro. Ao lado de cada item, marque se depende de você ou de outra pessoa. Depois faça, nesta semana, o primeiro item que depende de você. Investigar é isso: trocar a palavra impossível por uma lista que dá para conferir.
Investigar também não é insistir para sempre. Às vezes a lista mostra que o custo é alto demais, ou que aquilo não combina com o que você valoriza, e desistir com a conta feita é uma boa decisão. Defina antes quanto tempo e dinheiro aceita gastar descobrindo. Vender a moto foi uma aposta que fazia sentido para mim naquele momento, e cada um precisa fazer a própria conta antes de arriscar o que sustenta a casa.
Impossível é uma conclusão, e conclusão se tira depois da investigação.
Me conta: o que você chamou de impossível no seu negócio e ainda não investigou?
Para ir além: Proatividade: o que é e como formar uma equipe proativa
Um grande abraço e viva com paixão!
Edson Oliveira
Fundador da Consylion
P.S.: Amanhã a conversa é sobre estresse: antes de culpar o cortisol, vale olhar o que no seu dia depende de você e o que não depende.
Do conhecimento à aplicação
Investigar antes de decidir pede outra relação com o erro: quem tem medo de errar chama de impossível o que só é desconfortável. O Manual de Mentalidade do Empreendedor traz uma nova postura diante de erro, crítica e resultado ruim, com registro de promessas, roteiro para críticas, dezesseis modelos e a planilha da mentalidade do dono. Ou veja todos os manuais de O Dono.
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