O que fica de nós na vida dos outros

CONSYLION INSIGHTS · A CARTA DAS 7H10

Hoje é Dia de Finados. Para algumas pessoas, a data traz uma lembrança boa. Para outras, uma falta difícil de colocar em palavras. Há também quem viva este dia sem um ritual particular. Não existe uma maneira de sentir que esta carta precise ensinar.

Quero apenas abrir espaço para uma pergunta que conversa com a vida de quem constrói um negócio, mas não cabe numa planilha: o que fica de nós na vida dos outros?

Quando penso em realização, não olho só para o que consigo construir. Também penso no que pode continuar útil depois de mim. Em uma conversa recente, falei sobre o desejo de que o conhecimento que produzo ajude alguém a se desenvolver e, a partir daí, beneficie outras pessoas ao redor.

O que eu gostaria de preservar nesse caminho é a aplicabilidade. Conhecimento que sai da página, participa de uma decisão e ajuda alguém a fazer algo melhor. Essa pessoa pode passar adiante o que aprendeu. É esse efeito, em camadas ao longo do tempo, que eu gostaria de incentivar.

Isso é um desejo, não uma medida de sucesso que eu tenha alcançado. E não precisa virar um grande projeto para merecer atenção. Um negócio pode deixar algo além do produto que vende. Pode ser um jeito de explicar, de tratar alguém que ainda não sabe ou de cumprir um combinado quando seria mais fácil ignorá-lo.

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Pense em algo que você aprendeu com outra pessoa e ainda usa. Talvez uma maneira de trabalhar, uma pergunta que ajuda a decidir ou um cuidado que passou a fazer sentido com o tempo. Quem ensinou pode ter percebido a importância daquele gesto. Pode também nunca ter sabido.

Não precisamos transformar essa lembrança numa lição bonita. Algumas relações deixam sentimentos misturados, e nem toda lembrança precisa ser compartilhada. Você pode escolher só aquilo que faz sentido guardar, sem explicar o restante para ninguém.

Se houver espaço para isso hoje, anote uma coisa que recebeu de alguém e quer manter viva na prática. Depois procure uma situação pequena em que esse aprendizado possa continuar. Pode ser explicar com paciência uma tarefa, registrar algo que só você sabe ou agradecer a quem lhe ensinou. São possibilidades, não uma lista para cumprir no feriado.

O ponto não é fazer uma homenagem perfeita. É perceber que aquilo que recebemos pode aparecer no nosso comportamento, inclusive quando ninguém conhece a origem. E que também deixamos marcas nas formas comuns de trabalhar e de conviver, sem precisar anunciar que estamos construindo um legado.

Se hoje for um dia de saudade difícil, esta pergunta pode esperar. Não há obrigação de tirar produtividade, gratidão ou aprendizado da ausência de alguém. Às vezes, o que cabe é apenas lembrar, ficar em silêncio ou estar perto de quem você quer.

Para quem quiser levar a reflexão adiante, fica a pergunta: o que você recebeu de alguém e gostaria que continuasse chegando a outras pessoas?

Um grande abraço e viva com paixão!

Edson Oliveira
Fundador da Consylion

P.S.: Uma parte do que fica de nós pode estar num jeito de agir que alguém aprende conosco. Qual gesto você gostaria de passar adiante?

Do conhecimento à aplicação

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