Quanto do seu dinheiro ainda pode escolher?

Antes de procurar onde investir, descubra quanto já tem destino no mês que vem.

CONSYLION INSIGHTS · A CARTA DAS 7H10

Dinheiro, para mim, é uma ferramenta que compra escolhas. Poder decidir como usar o tempo e o que fazer no dia a dia é uma parte importante do que eu quero construir. Por isso, quando penso em organização financeira, a pergunta que me interessa vai além de quanto entrou na conta: quanto desse dinheiro ainda está disponível para uma escolha minha?

O saldo pode dar uma impressão de folga que desaparece quando você coloca as datas ao lado. A fatura ainda vai vencer, uma parcela já foi contratada, uma despesa anual está chegando. O dinheiro aparece na tela, mas uma parte dele já tem destino.

Se você está apertado, eu começaria por enxergar esses compromissos antes de procurar o investimento da vez. Escolher uma aplicação exige saber de quanto você dispõe e quando pode precisar daquele valor. Sem esse começo, você tenta decidir o futuro com uma conta incompleta do presente.

E, para quem empreende, eu colocaria um cuidado a mais: olhar o dinheiro da casa separado do dinheiro da empresa. Um mês de vendas melhores não diz, sozinho, quanto a família pode gastar. A empresa ainda tem obrigações próprias, e a retirada precisa considerar essa realidade.

LINK RECOMENDADO

O Playbook da Segunda Renda ajuda a escolher um serviço, definir a entrega e preparar uma proposta, com planilha e modelos para testar a demanda.

Amanhã começa um mês. Dá para usar essa passagem para fazer uma primeira versão do orçamento, sem esperar encontrar o aplicativo perfeito. O Banco Central orienta registrar os ganhos e gastos, projetar os próximos e avaliar o resultado. Papel funciona. O que importa aqui é conseguir conferir a conta depois.

Eu faria assim:

  1. Comece pelo que aconteceu. Separe o extrato pessoal e a última fatura. Anote quanto entrou para a casa e com o que foi gasto. Se houver uma despesa pessoal paga pela empresa, registre isso separadamente para não perder a informação. Nesta primeira leitura, procure os valores reais, sem tentar justificar cada compra.

  2. Olhe o mês que vai começar. Coloque no papel as entradas previstas e as despesas já assumidas, com suas datas. Inclua parcelas e compromissos que não aparecem todos os meses. Diferencie o que está confirmado do que ainda depende de acontecer. Uma entrada incerta merece ficar visível como incerta.

  3. Faça a conta sem esconder o desconforto. Compare as entradas previstas com as saídas. Se faltar, anote o tamanho da diferença. Se sobrar, confira se você deixou alguma obrigação de fora. A utilidade desse exercício está em saber qual conversa precisa ter ou qual decisão precisa rever, em vez de chegar ao vencimento tentando lembrar o que aconteceu.

  4. Escolha uma mudança possível. Pode ser rever uma despesa recorrente que perdeu o sentido, combinar um limite de gasto com quem divide as contas ou investigar uma forma de ampliar a renda. Escolha conforme o problema que os registros mostraram. Anote o que pretende fazer e uma data para voltar à conta.

Não precisa transformar a revisão em julgamento da sua vida. Uma despesa com lazer pode fazer sentido para você, enquanto outra, menor, se repete sem trazer benefício nenhum. Eu olharia para a relação entre cada compromisso e a vida que você quer sustentar. Cortar por cortar também pode produzir um orçamento que ninguém consegue manter.

Se os gastos essenciais já consomem toda a renda, a planilha vai mostrar a dificuldade, mas não vai resolvê-la sozinha. Esse cenário pode pedir negociação, busca de renda e orientação para a sua situação. O exercício serve para organizar a conversa, sem prometer que disciplina compensa qualquer falta de dinheiro.

No fim, você pode descobrir que ainda não há sobra para investir. Essa informação é útil: permite trabalhar no problema que existe hoje. Também pode descobrir uma folga que estava sendo consumida sem decisão. Nos dois casos, você passa a enxergar melhor o que pode escolher.

O primeiro uso do controle financeiro é devolver clareza às suas escolhas.

Me conta: qual compromisso do mês que vem você precisa colocar no papel antes de decidir um gasto novo?

Um grande abraço e viva com paixão!
Edson Oliveira
Fundador da Consylion

P.S. Amanhã, a conversa é sobre presença: como perceber se você está ouvindo quem está ao seu lado ou já pensando no próximo problema.

Do conhecimento à aplicação

Quando o dinheiro da casa e o da empresa se misturam, fica difícil enxergar quanto está disponível para cada uma. O Manual de Finanças do Dono trata dessa separação, da retirada e da reserva, com planilha das finanças do dono, orçamento familiar e doze modelos. Ou veja todos os manuais de Financeiro.

Gostou desta carta? Encaminhe para alguém que empreende com você. Se ela chegou até você por um amigo, assine a Consylion Insights aqui. Uma carta por dia, às 7h10.