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Quem não cobra nada de você está vendendo
CONSYLION INSIGHTS · A CARTA DAS 7H10
Você já viu a promessa: renda extra "sem sair de casa, sem investir e sem experiência". Quem cai nela não é ingênuo. Está cansado, a conta apertou, e a promessa fala exatamente com esse cansaço.
A pergunta que eu faria é sempre a mesma: quem está pagando por isso, e quanto isso custa para você?
Porque a minha convicção é esta: todo jeito de ganhar mais dinheiro cobra em tempo, em risco ou em capital. Às vezes cobra em dois. Nenhum cobra em zero. Quando uma oferta jura que não cobra nenhum dos três, ela não está ensinando. Está vendendo, e o produto, muito provavelmente, é você.
Vale olhar cada preço de perto.
Tempo. É o preço de quem trabalha por conta própria. Dar aula, consertar, desenhar, atender: o dinheiro entra enquanto você está lá. Começa rápido e com pouco dinheiro, mas para quando você para. E hora tem dono: sai do descanso, da família ou da saúde. Quem diz que "não investiu nada" geralmente só não contou as horas.
Risco. É o preço de quem vende produto ou monta equipe. O dinheiro vai para estoque, material ou salário antes de voltar, e pode não voltar. É um preço que se paga de uma vez, e o erro mais comum é fingir que ele não existe.
Capital. É o preço de quem quer que o dinheiro trabalhe no lugar dele. Aluguel, juros e dividendos existem, mas exigem ter dinheiro antes. Quem ainda não tem capital paga em tempo, e com o que sobra constrói o capital aos poucos. Não existe atalho honesto entre os dois.
Repare no que isso muda. A pergunta "qual é a melhor ideia para ganhar dinheiro?" não tem resposta, porque a melhor ideia depende de qual preço você aguenta pagar. Imagine, como exemplo hipotético, alguém com duas horas livres por semana e nenhuma reserva, e outra pessoa com a agenda cheia e algum dinheiro parado. Cada uma paga de um jeito. A ideia é a mesma, o preço muda, e por isso a resposta muda.
Há um bom teste para separar proposta séria de armadilha. A CVM, no Portal do Investidor, descreve sinais de pirâmide financeira: taxas altas de adesão, foco maior em captar novos participantes do que em vender de verdade, e promessa de rentabilidade alta, acima do que o mercado oferece, em pouco tempo. Repare que os três sinais são formas de esconder o preço ou de empurrá-lo para outra pessoa. A conta chega, só que para quem entrou depois.
E o problema não é de gente desatenta. Em um teste educativo da CVM e da Anbima, com um site simulado de uma corretora fraudulenta, 48% dos visitantes demonstraram intenção de investir mesmo diante de sinais claros de golpe. A própria página não informa o tamanho da amostra, então não tire disso uma regra geral. Mas dá a medida: o cansaço, a pressa e a promessa bonita enganam gente inteligente.
LINK RECOMENDADO
O Manual de Riqueza do Dono ajuda a definir como transformar parte do lucro em patrimônio fora da empresa, com regra de retirada e investimento e o balanço patrimonial do dono.
Agora, a parte prática. Chamo de Etiqueta de Preço a ferramenta abaixo. Use sempre que uma oportunidade de renda aparecer, venha ela de um amigo, de um anúncio ou de uma ideia sua.
A FERRAMENTA
Etiqueta de Preço
Pegue uma folha e escreva a oferta em uma linha, do jeito que ela foi dita para você.
Escreva três linhas embaixo: Tempo, Risco, Capital.
Preencha cada uma com números, não com impressões: quantas horas por semana, quanto dinheiro você pode perder sem tocar na reserva nem atrasar uma conta, quanto capital precisa ter antes.
Se alguma linha ficou em branco porque ninguém soube responder, esse é o preço escondido. Pergunte a quem fez a oferta. Se a resposta for vaga, pare aqui.
Divida o que sobra, depois de custos e imposto, pelas horas gastas. Esse é o valor da sua hora líquida. Compare com a hora do seu emprego.
Antes de começar, escreva os dois tetos, o de dinheiro e o de horas. Teste por 30 dias. Passou do teto, parou.
Quando não usar: se você tem dívida cara crescendo e nenhum plano para pagá-la, a Etiqueta de Preço não resolve. Primeiro cuide do que está vazando; só depois vale abrir uma segunda torneira. E nada aqui é recomendação de ativo nem de decisão individual: imposto e investimento dependem do seu caso, e a conversa certa é com um contador ou com um profissional habilitado pela CVM.
Quem quiser o passo a passo completo, com a conta feita num exemplo fictício, os seis caminhos comparados e a regra de teste, está tudo no guia gratuito do portal.
O que parece de graça só não mostrou a conta ainda.
Me conta: se você tivesse que escolher hoje o preço que aguenta pagar, tempo, risco ou capital, qual seria?
Para ir além: Como ganhar dinheiro: 6 caminhos, a conta e o patrimônio
Um grande abraço e viva com paixão!
Edson Oliveira
Fundador da Consylion
P.S.: Amanhã é domingo, e a Clareza de Domingo fala de uma ansiedade que quase todo mundo que empreende conhece: a de tentar controlar o que não depende de você, e a de largar o que depende.
Do conhecimento à aplicação
A Etiqueta de Preço mostra o que uma oferta cobra de você. Para transformar o que você já sabe fazer em uma renda extra, o Playbook da Segunda Renda ajuda você a escolher um serviço, definir o que entregar e quanto cobrar e testar a demanda com um roteiro de sete dias, com manual, planilha e modelos editáveis.
Gostou desta carta? Encaminhe para alguém que empreende com você. Se ela chegou até você por um amigo, assine a Consylion Insights aqui. Uma carta por dia, às 7h10.