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Você cobra o que nunca pediu?
CONSYLION INSIGHTS · A CARTA DAS 7H10
Você já pediu uma coisa, recebeu outra e saiu com a impressão de que a pessoa não se esforçou? Na maioria das vezes ela se esforçou. Só que fez o que entendeu, e você cobrou o que imaginou.
Imagine uma assistência técnica em que o dono diz ao auxiliar: "dá uma olhada no estoque de telas". O auxiliar passa uma hora contando e entrega o total. O dono queria saber o que comprar até sexta. Os dois fizeram a parte deles do jeito que entenderam, e os dois saem chateados. O caso é inventado, mas o mecanismo é comum: dentro de "dá uma olhada" cabe qualquer coisa, e o resultado que estava só na cabeça de quem pediu vira cobrança depois.
Minha tese é que, na equipe pequena, liderar é mais combinar do que mandar. O instinto diz que o problema é a pessoa, falta de atenção ou de compromisso. Quase sempre o problema é que o pedido saiu sem o "pronto". Quem não diz o que espera acaba cobrando o que nunca pediu, e o outro só descobre a régua quando já errou.
Explicar uma vez, rápido, entre um cliente e outro, dá a sensação de que já foi dito. Só foi dito de verdade quando a outra pessoa consegue repetir com as palavras dela. Em empresa grande, isso vira processo e descrição de cargo. Na pequena é conversa de dois minutos, e por isso cabe na agenda de um dono.
Existe uma pergunta que eu me faço antes de começar qualquer tarefa: "Essa tarefa aqui, ela vai contribuir em que especificamente? Ela é uma causalidade de qual efeito que eu quero atingir?" Eu a uso para saber se estou construindo ou só ocupado. Ela também dá um bom pedido. Quem delega sem dizer o efeito que quer deixa o outro adivinhando, e se você não sabe responder isso sobre uma tarefa, o trabalho ainda está com você.
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A FERRAMENTA
Antes do próximo pedido, separe dez minutos:
Escolha uma tarefa que você vai passar a alguém hoje ou amanhã.
Escreva o efeito que ela deve causar: o que muda no negócio quando ela estiver feita.
Escreva como você reconhece que está pronta, em uma frase, com prazo e com quem confere.
Escreva até onde a pessoa decide sozinha e em que ponto ela deve te chamar, por valor, cliente ou risco.
Passe o pedido e peça que a pessoa diga com as palavras dela o que entendeu. Se ela não souber, a falha ainda é do pedido.
Na entrega, compare com a sua frase, e não com o que você tinha imaginado. Se saiu diferente do escrito, ajuste o combinado antes de falar em cobrança.
Isso não resolve tudo. Em tarefa de risco alto para quem ainda não sabe fazer, combinar não basta: diga o passo a passo e confira o resultado. E se o "pronto" estava claro, a pessoa o repetiu e o mesmo ponto volta três vezes, o diagnóstico muda: falta preparo, e aí você ensina, ou falta encaixe no papel. Conflito grave ou qualquer coisa que envolva assédio sai do campo da conversa de dono e pede um advogado trabalhista.
Cobrança só é justa quando o combinado existia antes do erro. A pergunta que eu deixo: qual foi a última coisa que você cobrou da equipe sem nunca ter dito em voz alta que esperava?
Para ir além: Liderança na pequena empresa: o que é e como exercer
Um grande abraço e viva com paixão!
Edson Oliveira
Fundador da Consylion
P.S. Amanhã a conversa é sobre quem abriu uma empresa, mas só executa o serviço: nesse caso, você criou um emprego para si, e ser dono é trabalhar no negócio, não só dentro dele.
Do conhecimento à aplicação
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